Lula critica proposta de Trump para novo Conselho de Paz

Presidente brasileiro aponta riscos ao multilateralismo em evento do MST em Salvador

24/01/2026 às 10:27
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta sexta-feira (23) que o cenário político global vive uma fase delicada, marcada pela substituição do multilateralismo pelo unilateralismo. Ele expressou essa opinião durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador.

 

Durante seu discurso, Lula afirmou que a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo desconsiderada. Criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a criação de um Conselho de Paz, dizendo que Trump pretende formar uma nova ONU para controlá-la de acordo com seus interesses.

 

“Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos países [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de México, do Brasil, de países africanos… E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou Lula.


O presidente dos Estados Unidos convidou Lula a integrar o Conselho da Paz, que terá o objetivo de supervisionar o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).

 

Lula comentou ainda que está em contato com diversos líderes globais para tratar do tema, incluindo o presidente da China, Xi Jinping; o da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

 

Em relação ao conflito na Venezuela, Lula criticou a operação americana que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, primeira-dama.

 

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”, disse.

 

Lula reforçou que o Brasil não privilegia relações com nenhum país em especial e destacou que não aceitará ser subjugado por nações estrangeiras.

 

O presidente criticou a postura de Trump ao exaltar o poder militar dos Estados Unidos, frisando seu desejo de manter a política baseada em paz e diálogo.

 

“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.

 

MST realiza encontro nacional

O 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) encerrou com um ato celebrando os 42 anos do movimento. O evento, que teve início na segunda-feira (19), reuniu mais de 3 mil participantes de todas as regiões do Brasil.

 

Durante o encontro, foram discutidos temas como reforma agrária, produção de alimentos saudáveis, agroecologia e a situação política atual.

 

No final do evento, o MST entregou uma carta ao presidente, criticando o impedimento do avanço do multilateralismo e do imperialismo na América Latina, citando especificamente a invasão da Venezuela.

 

O documento reafirma os princípios do movimento, incluindo a luta pela reforma agrária, crítica ao agronegócio e solidariedade com nações como Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.

 

“Assim convocamos toda a sociedade brasileira para: - lutar por melhores condições de vida e trabalho e em defesa da paz e da soberania contra as guerras e as bases militares; avançar na luta em defesa da natureza e contra os agrotóxicos. Contamos com a participação de todos e todas que nos apoiam e à classe trabalhadora a se somarem na luta pela Reforma Agrária Popular, rumo à construção de outro projeto de país”, conclui o documento.

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